Uma das sensações mais frustrantes para quem estuda violino é acreditar que não está evoluindo.
Você pratica, dedica tempo ao instrumento, tenta melhorar sua técnica, mas em determinado momento surge um pensamento desconfortável:
"Parece que estou parado."
Muitos alunos passam por isso. A boa notícia é que, na maioria das vezes, essa sensação não significa que o aprendizado parou.
Na verdade, pode significar exatamente o contrário.
O progresso nem sempre é visível
Quando começamos a estudar algo novo, os avanços costumam ser evidentes.
Uma nota que antes era impossível passa a soar melhor. Uma música simples começa a fazer sentido. Uma dificuldade desaparece rapidamente.
Mas, à medida que evoluímos, as mudanças se tornam menores e mais sutis.
O problema é que nosso cérebro tende a perceber apenas grandes transformações.
Enquanto isso, pequenas melhorias continuam acontecendo sem que percebamos.
O aprendizado acontece antes do resultado
A ciência do aprendizado motor mostra que o cérebro está constantemente reorganizando conexões neurais durante a prática.
Muitas dessas mudanças não aparecem imediatamente na execução.
É como construir os alicerces de uma casa.
Durante algum tempo parece que nada mudou. Porém, uma estrutura importante está sendo construída.
Quando finalmente aparece um resultado visível, ele costuma ser consequência de um trabalho que já vinha acontecendo há dias ou semanas.
Comparar-se com os outros cria uma falsa sensação de atraso
Outro motivo comum para sentir que não estamos evoluindo é a comparação.
Hoje vemos vídeos de estudantes, professores e músicos profissionais o tempo todo.
Mas existe um detalhe importante:
Você vê o resultado dos outros.
Você vive o processo do seu próprio aprendizado.
Essa comparação raramente é justa.
Cada aluno possui:
experiências diferentes;
tempos diferentes;
facilidades diferentes;
desafios diferentes.
A única comparação realmente útil é com a versão de você mesmo há alguns meses.
Nem toda evolução aparece no som
Muitas vezes o aluno procura evolução apenas na execução musical.
Mas existem outros sinais importantes:
menos tensão corporal;
mais conforto ao tocar;
maior consciência do movimento;
melhor capacidade de concentração;
mais controle do arco;
melhor percepção dos próprios erros.
Esses avanços podem parecer pequenos, mas frequentemente são a base para grandes melhorias futuras.
Cuidado com a armadilha da cobrança excessiva
Quando acreditamos que não estamos evoluindo, é comum aumentar a cobrança.
Estudamos mais tensos.
Ficamos impacientes.
Tentamos forçar resultados.
E justamente nesse momento podemos prejudicar o aprendizado.
O corpo aprende melhor em um ambiente de atenção e curiosidade do que em um ambiente de pressão constante.
O que fazer quando surgir essa sensação?
Quando parecer que nada está funcionando, experimente:
lembrar como você tocava alguns meses atrás;
gravar vídeos para comparar sua evolução;
observar melhorias corporais e não apenas musicais;
focar em pequenos objetivos;
continuar estudando com atenção e consciência.
Muitas vezes o progresso está acontecendo, mas ainda não ficou visível.
Confie no processo
Aprender violino é um processo de longo prazo.
Existem dias em que percebemos claramente os resultados.
Existem outros em que parece que estamos andando em círculos.
Mas o desenvolvimento raramente acontece em linha reta.
Ele costuma acontecer em ciclos.
Momentos de aparente estagnação frequentemente são seguidos por avanços significativos.
Conclusão
Se hoje parece que você não está evoluindo, não tire conclusões precipitadas.
Talvez seu cérebro esteja organizando habilidades que ainda não se manifestaram completamente.
Talvez seu corpo esteja refinando movimentos que em breve parecerão naturais.
E talvez o progresso que você procura já esteja acontecendo, apenas de uma forma mais silenciosa.
Continue estudando com atenção.
Continue observando.
Continue construindo.
Porque no violino, assim como na música, algumas das transformações mais importantes acontecem antes que possamos ouvi-las.
Leitura recomendada:
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