Seu corpo está tentando te ensinar algo durante o estudo do violino
Quando pensamos em estudar violino, normalmente prestamos atenção às notas, ao ritmo, à afinação ou à técnica. Porém, existe um professor silencioso presente em todos os momentos do estudo: o próprio corpo.
Enquanto você toca, seu corpo envia sinais o tempo todo. A maioria desses sinais não é aleatória. Eles são informações valiosas sobre como você está aprendendo, se movimentando e construindo sua técnica.
A questão é: você está ouvindo esses sinais?
O corpo fala através das sensações
Muitas vezes, o aluno percebe que algo não está funcionando, mas tenta resolver apenas pensando mais ou repetindo mais.
Entretanto, o corpo costuma fornecer pistas importantes:
tensão excessiva nos ombros;
rigidez no pescoço;
desconforto nas mãos;
cansaço exagerado;
dificuldade persistente em determinados movimentos;
sensação de esforço maior do que o necessário.
Esses sinais não são necessariamente um problema. Muitas vezes são mensagens indicando que algo pode ser ajustado.
O corpo não mente
É possível enganar a si mesmo acreditando que um movimento está correto porque ele parece familiar. Mas o corpo costuma revelar a verdade.
Quando um movimento é eficiente, normalmente observamos:
maior sensação de leveza;
menos esforço muscular;
melhor coordenação;
mais liberdade de movimento;
som mais estável e controlado.
Por outro lado, quando existe excesso de tensão ou um padrão motor inadequado, o corpo frequentemente reage com desconforto, fadiga ou dificuldade de execução.
Por isso, aprender a observar as sensações corporais é uma habilidade tão importante quanto desenvolver a afinação ou a sonoridade.
O aprendizado acontece através do corpo
A ciência do movimento mostra que grande parte do aprendizado motor acontece antes mesmo de conseguirmos explicá-lo em palavras.
O cérebro está constantemente comparando:
o movimento que foi realizado;
o resultado obtido;
o objetivo desejado.
A partir dessa comparação, ajustes vão sendo feitos automaticamente.
É por isso que, muitas vezes, você sente que algo ficou mais fácil antes mesmo de entender exatamente o que mudou.
O corpo percebe primeiro.
A mente compreende depois.
Quando uma dificuldade se repete
Existe uma tendência natural de culpar a falta de talento quando encontramos uma dificuldade persistente.
Mas muitas vezes o problema não está na capacidade do aluno.
O que acontece é que determinado padrão de movimento ainda não foi organizado da forma mais eficiente.
Nesses momentos, vale a pena perguntar:
O que meu corpo está tentando me mostrar?
Existe alguma tensão desnecessária?
Estou usando mais força do que preciso?
Posso realizar esse movimento de maneira mais natural?
Essas perguntas frequentemente produzem mais resultados do que simplesmente repetir o exercício dezenas de vezes.
Escutar o corpo acelera o aprendizado
Quanto mais desenvolvemos a percepção corporal, mais fácil se torna identificar:
tensões ocultas;
movimentos excessivos;
hábitos pouco eficientes;
oportunidades de melhoria técnica.
Essa atenção não substitui o estudo.
Ela torna o estudo mais inteligente.
Em vez de apenas repetir movimentos, passamos a compreender como eles acontecem.
Conclusão
O estudo do violino não acontece apenas nos dedos, no arco ou na leitura da partitura.
Ele acontece também na forma como percebemos nosso próprio corpo.
Quando aprendemos a ouvir as sensações corporais, descobrimos um guia extremamente valioso para o desenvolvimento técnico e musical.
Por isso, na próxima vez que estudar, experimente prestar atenção não apenas ao que você está tocando.
Preste atenção ao que seu corpo está tentando lhe ensinar.
Talvez algumas das respostas que você procura já estejam presentes nas sensações que acompanham cada movimento.
O corpo é um dos melhores professores que um violinista pode ter. Basta aprender a escutá-lo.
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